O médico que usa as panelas contra o câncer

Quimioterapia, radioterapia, cirurgia: nomes que assustam só de ouvir. Entretanto, a cura de um câncer não depende apenas disso, ela vem da geladeira também. Os poderes dos alimentos para tratar e evitar doenças pode não ser uma novidade para muitas pessoas, mas quando deixam de ser apenas uma crendice popular para um fato cientificamente comprovado e utilizado na medicina, fica mais do que evidente a necessidade de mudar a dieta.

O médico oncologista e nutrólogo Bruno Conte, do Instituto de Oncologia e Hematologia Hemomed, em São Paulo, aplica os poderes das frutas, verduras, dos legumes e das especiarias no combate à doença. Ele alia ao tratamento de seus pacientes a dieta centrada em vegetais, seguida pelo próprio médico e sua família.

Além de médico, ele é cozinheiro de mão cheia e mostra na prática que pratos saudáveis têm sim muito sabor. Eu participei da oficina de gastronomia promovida pela TV Armário Feminino, em São Paulo, onde o Bruno Conte ensinou receitas deliciosas e 100% saudáveis. Tive a oportunidade de degustar pratos incríveis totalmente veganos e com quase nada de gordura.

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Oncologista e Nutrólogo Bruno Conte à esquerda. Chef Wesley Morales à direita. Foto: TV Armário Feminino

De entrada, uma salada de cevadinha com vegetais crus, como cenoura, salsão, cebola roxa, alho poró, especiarias, azeite extravirgem e suco de limão. Depois, fusili integral com bolonhesa de lentilhas e tomates frescos acrescido de creme de castanhas com ervas e especiarias, como curry, para deixar cremoso. Por fim, foi preparado um estrogonofe de cogumelos Paris e Shitake, o creme de leite foi substituído por creme de castanha de caju, que foi misturado a extrato de tomates frescos e açafrão. O creme de castanha de caju é super simples de fazer, basta deixar as castanhas de molho na água por no mínimo 4 horas e máximo 2 dias. Depois é só colocar no liquidificador as castanhas com metade da água utilizada e bater. Também foi servido um suco de beterraba com maracujá e frutas vermelhas.

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salada de cevadinha

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massa com bolonhesa de lentilhas

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estrogonofe de cogumelos

Todas as delícias sem nada de origem animal. As únicas gorduras foram o pouco azeite extravirgem da salada e a própria gordura das castanhas de caju. O segredo para tanto sabor são os temperos: tudo é rico em ervas e condimentos como cúrcuma, cominho, pimenta preta e curry. “Todos são ótimos, fica a gosto de cada um o que usar, mas quanto mais variedade, melhor”, explica o médico cozinheiro.

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Temperos são uma das recomendações

A alimentação proposta prioriza frutas, legumes, arroz e massas integrais, além de eliminar qualquer tipo de óleo, mesmo o azeite, que ocasionalmente é utilizado em quantidades mínimas. Para os refogados são usados caldos de vegetais, que além de ajudar a refogar, dão cor, sabor e nutrientes.Uma pequena dose diária de nozes também é recomendada. Entretanto, ele não usa a palavra “proibido” em seus cardápios. “Não gosto de falar em proibição por gerar um estigma, falo em produtos que devem ser evitados, comidos ocasionalmente, proibido é o cigarro, por exemplo”.

Os itens que estão na lista a ser evitada são as carnes processadas, como bacon, linguiça, salsicha e até mesmo os frios, como peito de peru. “As pessoas comem peito de peru defumado, por exemplo, esperando ter uma alimentação saudável, mas não é”, alerta o oncologista. Segundo Bruno Conte, há uma recomendação da Organização Mundial de Saúde para evitar estes produtos. “Foi lançada uma nota em 2015 assinada por especialistas do mundo todo que diz que carne processada gera câncer de cólon. Não há uma quantidade segura que possa ser recomendada, o ideal é evitar”, conta o médico. Já as carnes não processadas são permitidas, desde que seja com muita moderação, como um pequeno bife uma vez por semana.“Carne vermelha pode, mas com moderação, ela é um carcinogênico grau 2, ou seja, um carcinógeno provável”, alerta.

Alimentação sem ítens de origem animal é perigosa?

A primeira pergunta que fiz ao médico foi sobre o risco de faltar ferro e vitamina B12 ao eliminar o que for de origem animal. Como médico, Bruno Conte foi categórico: não há risco de haver carência se a dieta for corretamente seguida, ou seja, com variedade de alimentos e suplementação adequada. “O ferro da carne vermelha é extremamente inflamatório, que é o ‘Ferro M’. Apesar da biodisponibilidade deste elemento na carne ser maior, tem esse risco. Já os vegetais como lentilha, grão de bico, couve e brócolis têm ferro ferro e não é o ‘Ferro M’, por isso o organismo absorve melhor”. Já em termos de vitamina B12 ele explica que há cereais acrescentados de B12, além de suplementos com preços muito acessíveis.

Oficinas

As oficinas de gastronomia fazem parte da rotina do médico. Elas são ministradas no Hemomed aos pacientes e seus familiares. Nos encontros o oncologista dá dicas como preferir cebola roxa a cebola branca, já que a roxa tem mais antioxidantes; salpicar espinafre cru nas preparações, usar e abusar da cúrcuma, que tem propriedades contra o câncer, além dos poderes do alho e do cominho, excelentes anti-inflamatórios naturais.

A oficina que assisti, da TV Armário Feminino, teve participação da nutricionista Maiara Oliveira e dos chefs Andresa Fortes e Wesley Morales,que embasaram os ensinamentos do médico e deram dicas para dar mais sabor sem perder nutrientes.

Não existe sensação melhor que comer algo maravilhoso e saber que não está fazendo mal à saúde, comer sem culpa é ainda mais gostoso.

As receitas completas estão disponíveis na TV Armário feminino.